Deixa eu ir pro mundo-da-hipocrisia? Por favor, só mais uma vez...
Antes eu não gostava da ideia de ficar brincando de faz de conta. Mas, por que não? É tão mais fácil dessa maneira...
Eu prometo que, dessa vez, eu irei aproveitar todas as vantagens daquele lugar. É calmo, claro e feliz. Já percebeu como todo mundo naquele lugar é feliz? Ou será que isso faz parte do faz de conta também? Seja como for, eu vou experimentar voltar e, dessa vez, sem preconceitos ou preocupações. Não vou querer mais saber o que as pessoas estão, realmente, pensando. Vou me contentar com aquilo que elas DIZEM que estão sentindo. E vou ser mais feliz assim.
Sempre invejei aquelas pessoas despreocupadas e alegres.Você já percebeu como elas estão sempre com um sorriso no rosto? Claro que, se você encará-las por muito tempo, vai perceber que por trás do sorriso tem sempre uma ruga de preocupação. Mas é só não encará-las. É melhor assim. E é por isso que eu vou voltar, para ser como aquelas pessoas. Você não quer vir comigo, não? Vamos, lá é lindo e ensolarado, eu te garanto. Não se pode nem comparar com o céu acinzentado daqui. E não se preocupe, você não estará perdendo nada. Aqui é tudo tão triste e pessimista...Bom, se você não quiser ir tudo bem.
Na verdade, é melhor você ficar. Assim, se eu conseguir voltar pra cá depois, você me ajuda. Quando meus olhos estiverem ofuscados pelo brilho de lá, você me dá um banho de realidade. Porque, sabe como é, não é bom ficar lá para sempre. Dizem que, se não voltarmos dentro de um tempo, perdemos para sempre a noção da realidade. E isso não é bom, porque é melhor que eu tenha um lugar pra onde fugir, caso eu me canse de lá. Caso eu me canse do céu sempre azul e ensolarado, das pessoas sempre perfeitas, sem falhas...
Às vezes é bom errar também.
Carolina de Jesus
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
A chave
“Acho que chegou a hora”. Com essas palavras ela lhe entregou uma pequena chave dourada, que levava pendurada em seu pescoço. Ela sentia medo. Tinha adiado aquele momento o máximo que pôde; não se sentia pronta. “Sinto muito, mas é extremamente necessário”, ele lhe falou, como se lesse seus pensamentos. Ela tentou sorrir. Realmente tentou. Não queria parecer azeda, mas não tinha como sequer fingir estar conformada com a situação. Mas ele, o homem que a encarava, tentando confortá-la com seu olhar, não tinha culpa de nada daquilo, não custava ser gentil. Ou será que ele teria alguma culpa? Ela não sabia ao certo. Mas não era hora de culpar a ninguém, a não ser ela mesma, talvez. “Pronta?”. Ela fez que sim com a cabeça. O homem não tirava os seus olhos dos dela, e ela encarava de volta. Ele abriu, gentilmente seu casaco, e aproximou a chave, que recebera, de seu peito. Ela não conseguia deixar de olhar para os seus olhos brilhantes e confortantes. Sentiu seu coração se acelerar e sua respiração ficar mais rápida e curta assim que a chave gelada a tocou. Ele girou a chave e menos de um segundo depois, ela já não sentia mais nada. Nem a chave, nem seus batimentos e respiração acelerados. Nem via mais os doces olhos do homem a observando. Estava mergulhada em uma névoa quente, doce...e sorria.
Ele sentia medo. Mas a hora havia chegado. Ele tentou impedir, fez tudo o que pôde. Mas não foi o suficiente. Ele estava ali agora. E ela já estava adormecendo quando belas imagens começaram a ser projetadas na parede à sua frente, vindas da chave, que ainda estava presa ao coração dela. “É só uma questão de segundos agora, ela vai ficar bem”. Ele repetia várias vezes essa mesma frase para si mesmo, quem sabe uma hora ele se conformaria. De repente, as imagens que passavam em turbilhões na parede começaram a ficar cada vez mais lentas, até passarem pausadamente, uma após a outra, como um pequeno filme. E ele viu. Ele viu tudo o que ela vira. Olhos castanhos encarando-a; um sorriso; um beijo; uma risada, a dela. Ele viu os cabelos dela balançando no vento, lembrando da sensação que o seu perfume causava nele. Viu duas mãos, segurando uma na outra, despreocupadas. Viu também um olhar tímido, um abraço demorado, e as mãos que não se soltavam. Ele tinha vontade de chorar, mas não podia. O que aconteceria se o vissem? Seria terrível.
Ela via tudo aquilo e sorria, inconscientemente. Mas conforme o seu turbilhão de memórias ia se esgotando, ela sentia uma crescente agonia, que a sufocava. Queria gritar para que aquilo parasse, mas não tinha voz. E ela viu os olhos dele a olhando, minutos atrás, em sua última lembrança. Tudo ficando cada vez mais turvo. Tentou sair da cadeira em que parecia estar presa, mas não conseguia mover um músculo sequer. Ela não tinha culpa de nada. Que culpa era aquela, afinal? Se é que pode se culpar alguém por se apaixonar. Ela imaginou a resposta dele àquela pergunta: “Mas pode-se culpar alguém por se apaixonar pela pessoa errada. Ela lhe diria que ele não era a pessoa errada, queria lhe dizer isso mais do que tudo neste momento. E esse desejo irreparável lhe fez brotar uma lágrima no olho esquerdo.
Ele viu a lágrima escorrendo no rosto dela e desejou que nada daquilo fosse verdade, que fosse apenas um pesadelo. Fechou os olhos esperando descobrir que estava sonhando, quando os abrisse. Não funcionou. E escorreram lágrimas dos seus olhos também. Ele começou a pensar naqueles olhares que haviam trocado antes, tão intensos, mas tão distantes; e no mar de palavras não ditas, em tudo aquilo que ele poderia ter feito...Agora não restava mais nada. Ela não se lembraria mais dele. Nem de nada do que viveram. Mas ele não esqueceria de nada. E aquela dor ficaria guardada em seu peito para sempre, ou até que algum superior descobrisse seu segredo e pegasse sua chave também; assim, seria feito com ele o que foi feito com ela. E a história deles dois estaria apagada eternamente. Ele não poderia deixar que isso acontecesse. Teria de viver com aquilo guardado só pra si, e não compartilhar com mais ninguém. O seu segredo era aquela garota. E, mais do que isso, era tudo o que ele sentia por ela. Por isso era preciso fazê-la esquecer de tudo o que eles viveram. Era perigoso demais. Ele abraçou seu corpo frio e inconsciente, e saiu de lá antes que ela acordasse. Ou pior: que alguém os visse juntos. Antes de sair pelo corredor, olhou para trás uma última vez.
Abriu a porta que levava ao lado de fora do lugar em que estivera por tanto tempo, e para onde não desejava mais voltar. E seguiu em frente, em busca de um caminho...
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Utopia
A brisa soprava em seu rosto e ele podia sentir o cheiro da grama cortada que beirava as calçadas. Seus sapatos, cuidadosamente engraxados, faziam um ruído engraçado quando encontravam os paralelepípedos. Viu um homem andando do outro lado da calçada, trajando exatamente as mesmas roupas que ele. Camisa branca engomada, calças cáqui, sapatos pretos. Sorriu pra ele e lhe pediu para que desse uma informação. O estranho atravessou a calçada e sorriu, revelando dentes muito brancos, frutos de um branqueamento bem recente, observou o homem, preocupado se haveria a necessidade de marcar um horário para fazer um também. "Por favor, à que horas começa a Reunião?". O estranho respondeu sem pestanejar: "Às duas e trinta. Ah, e a propósito, que belo penteado você tem aí, hein...". O homem sorriu, passando a mão por seus fios negros e ainda um pouco molhados com o gel que tinha comprado naquela manhã. "Obrigado, até as duas e trinta". O estranho acenou com a cabeça e seguiu em frente. O homem o observou partindo, de longe, e se alegrou com a lembrança do som das palavras do estranho a respeito de seu cabelo. Era verdade, o cabelo do estranho deixava a desejar. Tinham vários fios fora do lugar. Talvez devesse lhe dar a marca do novo produto que comprou quando se encontrassem na reunião. Se bem que, com tantas pessoas vestidas da mesma maneira, seria difícil de encontrá-lo. Desistiu da ideia. Continuou a caminhada, até o Centro de Convenções, onde iria ocorrer a Reunião da Cidade. Chegaria um pouco cedo demais, mas um homem como ele não deveria correr o risco de se atrasar. Mas talvez fosse o caso de parar na banca de revistas antes, para chegar bem informado. Comprou o jornal diário. Logo na primeira página viu uma foto assustadora: um homenzinho cabeludo, todo sujo, com a barba por fazer, vestindo trapos. Embaixo da foto, a manchete: "Criatura fétida e mal vestida garante que vivia em Utopia". O homem não pôde deixar de ficar boquiaberto. Bradou para o vendedor da banquinha: "Como pode ser isso?!". O vendedor se assustou com o grito do homem e , após se recuperar do choque - afinal não era comum os habitantes daquela cidade gritarem daquele jeito - respondeu: " Esse é o motivo da reunião extraordinária. Ele não deveria ser revelado até a hora da Reunião, mas parece que uma fonte misteriosa acabou o entregando ao jornal...Esses jornalistas não perdem uma oportunidade!". O homem deixou o vendedor falando sozinho e continuou caminhando, agora com mais rapidez. Ele não conseguia abstrair aquela imagem absurda de sua cabeça. Um homem vestindo trapos, onde já se viu!
Chegou ao centro de Convenções e olhou em volta. Burburinhos em todos os cantos do grande salão reluzente. Pessoas bem vestidas andavam pra lá e pra cá, ao redor de algo que parecia ser uma jaula. O que estava dentro da jaula não era possível saber, pois esta estava coberta por um pano preto. O homem se sentou em uma cadeira vazia, o mais próximo possível da "jaula". Mal podia se segurar de tanta ansiedade. Olhou para o lado e viu que os outros compartilhavam de sua impaciência. O prefeito de Utopia subiu no tablado, que se estendia de uma à outra extremidade do salão. Pegou o microfone, esperou até que todos se acomodassem e começou a falar: "Senhoras e senhores, habitantes de Utopia, eu gostaria de comunicá-los do motivo por estarem aqui nessa Reunião Extraordinária. Acredito que muitos de vocês já sabem que, na madrugada de ontem, um ser moribundo foi encontrado nos arredores de nossa cidade em estado deplorável...E ainda: afirma já ter tido um dia o privilégio de ter pertencido à Utopia!". "Isso é um ultraje!" se exaltou alguém na plateia. Os seguranças rapidamente foram até o homem, para garantir que ele se sentasse e não se pronunciasse mais. O homem, assustado, obedeceu. O prefeito sorriu com a manifestação e disse em seguida: "Por favor, peço que não se manifestem. A situação está sob controle. Quero que vocês vejam o falsário, mas antes gostaria de reafirmar algumas coisas...Vou ler agora o juramento da Cidade de Utopia e eu gostaria que todos erguessem as suas mãos direitas, as colocassem por sobre o peito e repetissem: Como cidadão de Utopia, benefício concedido à poucos e conquistado com muito suor através de demonstrações de honra e coragem por nosso povo, juntamente com um valor pago para garantir a manutenção de nossa tão amada cidade, eu juro honrar esse juramento, como prova de minha integridade, enquanto viver. Enquanto eu respirar os ares puros e pisar na grama verde dessa cidade, vou cumprir esse juramento. Enquanto andar pelos ladrilhos e beber na fonte de Utopia, vou respeitar esse acordo. E, se um dia, eu deixar de merecer este benefício, eu não vou pisar nesse chão. Chão esse regido por um mestre em sabedoria, coragem e bondade de cor nobre e origem digna.". Assim que o prefeito terminou o juramento todos começaram a se remexer nas cadeiras, aguardando a revelação da tal criatura que estava sob o pano, dentro da jaula. "E agora, sem mais delongas, o falsário..." anunciou o prefeito. Os panos caíram. As pessoas gritavam diante da figura mal-encarada e suja. Os burbúrios se reiniciaram. As pessoas estavam alvoroçadas. Alguns colocavam as mãos no rosto, tentando não olhar. Outros, não disfarçavam o espanto e franziam a testa de repugnação. Algumas pessoas, mais eufóricas, não aguentaram e saíram correndo. Já o homem-de-belo-penteado-devido-ao-novo-gel-de-cabelo não conseguia emitir um ruído. As pessoas gritavam e berravam palavrões para o homenzinho enjaulado à sua volta, mas ele não conseguia tirar os olhos dele, tamanha sua fascinação. O homem não tinha nada parecido com ele, mas ele podia observar a expressão de medo em seus olhos e, de alguma forma, não podia deixar de se identificar. Ele tentou se lembrar de como era o mundo real, quer dizer, do lado de fora de Utopia. Nada. Utopia havia preenchido o vazio que tinha em sua vida e ele apagou todas as lembranças do mundo exterior, tão cheio de dor, sofrimento.Tão cheio de inverdades e mentiras. Tão cheio de tristezas. Em Utopia sua vida era perfeita. Era irreal. Se espantou com o pensamento que tomou a sua mente: sua vida era uma mentira. Ele não queria pensar isso mas, sim, era tudo uma mentira. Há quanto tempo ele não tomava um banho de chuva, se sujava na lama, despenteava o cabelo... Fez uma cara de nojo ao pensar nisso. É, ele precisava mesmo sair de lá correndo, antes que fosse tarde demais, se é que já não era... Não, não podia ser! Ele tinha que sair de lá.
Aproveitou o reboliço causado pela revelação da criaturinha e se esgueirou até o grande tablado, no lado de trás da jaula, onde ninguém podia vê-lo. Aquele lado do palco era escuro e úmido, diferente do outro, onde ficavam os holofotes. Chamou o homenzinho:"Psiu, ei você! Venha até aqui". O homem de cabelos compridos e barba, que vestia trapos, se assustou um pouco, mas logo se afastou da grande plateia que o vaiava e xingava e se dirigiu ao lado oposto de sua jaula, fingindo estar assustado com os gritos, para que ninguém estranhasse sua saída dos holofotes. O homenzinho perguntou para que o homem de cabelos brilhantes de gel o havia chamado. "Quero fazer um acordo" disse ao homenzinho. "Preciso que você fique com minhas roupas e eu ficarei com as suas". "Ok, mas o que vai fazer com elas?" o homem de belos cabelos sorriu com a estranha sonoridade das palavras da criaturinha cabeluda. Não era como a das outras pessoas na cidade, era falhada e um pouco rouca. "Eu quero sair de Utopia" respondeu-lhe. "O quê?! Você vai fazer mesmo isso? Achei que não fosse possível..." disse o serzinho por entre os dentes. "O que você achou não ser possível?". O homenzinho sorriu com o canto da boca:" Existirem pessoas que queiram sair de Utopia...Eu era como você, até o dia em que agi "contra as normas de Utopia" e fui forçado a sair daqui. Desde então vivo uma vida real, nada parecida com a fantasia que é este lugar. O mundo lá fora é cruel, mas é belo. É maravilhosamente imperfeito." o homem de cabelo com gel franziu o cenho, demonstrando quão confuso havia ficado. "É compreensível que você não me entenda...quer saber por que foi que eu voltei pra cá não é?" o homem fez que sim com a cabeça. "Pois bem, deixei muitos amigos aqui quando fui mandado embora e pensei que, se voltasse, poderia lhes dizer que estão enganados em achar que esse é o paraíso na Terra e provar a todos esses hipócritas habitantes de Utopia que eu estava certo em querer sair dessa prisão, mostrar-lhes como eu sou feliz. Caminhei durante dias até chegar aqui, mas me prenderam logo que consegui entrar... Olha, tudo bem, vou lhe dar minhas roupas mas prometa que vai voltar, eu não posso ficar aqui!". O homem parou pra pensar na condição imposta, mas disse ao final: "Sim, eu prometo que volto."
Eles trocaram as roupas ali mesmo, o homem de penteado impecável despenteou os cabelos e rumou para os portões de Utopia. A criaturinha barbuda respirou fundo e voltou aos holofotes, e a euforia da plateia era tanta em vê-lo novamente que ninguém percebeu que ele estava com as roupas trocadas. O homem de cabelos, agora sem gel, aproveitou que todos da cidade estavam no Centro de Convenções e atravessou o portal, sem a mínima dificuldade. O homenzinho no Centro de Convenções estava se sentindo exausto, com toda aquela gritaria e sem achar ninguém que houvesse conhecido nos tempos em que morava lá, mas podia se confortar com a ideia de que o homem que lhe procurou para pegar suas roupas voltaria, para libertá-lo da prisão que era Utopia. E ele voltaria ao mundo externo, ao seu mundo. As lembranças o deixavam feliz e faziam o tempo passar mais depressa. Acalentado com a brisa que outrora sentia em seu rosto, quando um tal homem elogiou seus cabelos arrumados, o homem-de-cabelos-agora-sem-gel sorria passando a mão por seus fios embaraçados e desarrumados, imaginando o que o esperava no mundo lá fora. Ele foi caminhando enquanto as palavras do homem barbudo ecoavam em sua cabeça: "vou lhe dar minhas roupas, mas prometa que vai voltar...". O homem de cabelos agora bagunçados abriu a boca em um enorme sorriso avistando os pastos verdes ao longe, o mato crescendo por todo lado, o sol iluminando as árvores somente de um lado, deixando o outro seco e sem cor, o canto estridente demais dos pássaros, o chão barrento....parou um instante e observou suas botas sujas de lama. Nesse instante, fechou os olhos e se deliciou com a sensação dos pés molhados, até que concluiu, sorrindo : "É, eu não vou voltar..."
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Para os sonhadores...
Sobre os sonhos... Que coisa mais esquisita é sonhar! É como um universo paralelo em que nossos desejos se tornam realidade e nossos piores medos se materializam. Mas pensando nos medos, O que é mais assustador: os pesadelos virarem verdade ou nossos sonhos deixarem de acontecer...pensando friamente eu escolheria a primeira opção. Mas, digamos, em uma bela tarde ensolarada em que descubra que o meu maior sonho não pode ou não vai se realizar, eu sem dúvida, com todo o meu desepero defenderia a segunda ideia. E se esse meu maior sonho fosse, sendo bem franca, algo talvez considerado fútil... isso mudaria alguma coisa? Hoje não. Amanhã? Quem sabe... Talvez eu deveria deixar de sonhar e viver o presente. Não de forma alguma, eu nunca faria isso. Porque, no alto da minha adolescência os sonhos são as coisas mais doces que tenho em minha vida. Eles amaciam a realidade, tão dura. Por que é que, sempre que temos alguma desilusão declaramos em alto e bom tom, à todos aqueles que quiserem ouvir, que vamos parar de sonhar acordados? NUNCA devemos fazê-lo. A culpa não é do sonho, e sim daqueles que sonham, por achar um dia que devem parar de sonhar. Vamos viver em outra realidade por um momento...é isso que nos faz querer viver o presente: sonhar, idealizar, imaginar, criar, realizar. Mesmo que não dê certo no início, vamos sonhando até conseguirmos trazer o desejo para o concreto...quem sabe um dia funcione. E há de funcionar. Quem almeja, alcança. Quem sabe percebemos assim que o maior sonho de nossas vidas não seja tão fundamental como pensávamos à princípio. Que era só um acessório para vivermos com quem realmente importa...E que venham mais mil desilusões e ilusões para que eu sonhe mais, viva mais.
Agora, com licença que eu vou sonhar um pouquinho...
Agora, com licença que eu vou sonhar um pouquinho...
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